Copa do Brasil 2019: conheça os segredos das primeiras zebras

Uma das marcas da Copa do Brasil são as zebras, o que torna a competição mais instigante. Na história do torneio são várias histórias de Davi derrotando Golias.

A Copa do Brasil de 2019, apesar de estar apenas na segunda fase, já teve duas zebras: Tombense e URT. Os dois clubes mineiros eliminaram na primeira fase Sport e Coritiba respectivamente. O time de Tombos, cidade que fica perto do estado do Rio de Janeiro, venceu o clube pernambucano por 3 x  0. E a União Recreativa dos Trabalhadores, de Patos de Minas, bateu o Coxa por 3 x 2. O Torcedores conversou com os treinadores das duas equipes mineiras para entender os segredos das zebras da primeira fase, que, seguramente, em 2019, já fazem as suas melhores campanhas na história do torneio nacional, independentemente do que ocorra daqui para frente.

“Se você pegasse as previsões antes do jogo, era nove contra um ou dez contra zero a chance da Tombense se classificar. Mas o futebol permite, a Copa do Brasil permite, e um trabalho de qualidade permite vencer grandes adversários desde que a equipe jogue com personalidade como temos jogado”, comentou Ricardo Drubsky, técnico da Tombense.

Já o treinador Ito Roque comenta que quem considerava a URT zebra no confronto contra o Coritiba é porque não acompanhou o trabalho que antecedeu a partida: “Para quem estava fora de Minas foi zebra. Mas para quem viu a nossa preparação acredito que não. O que a gente treinou os atletas tiveram personalidade para colocar em prática”. E completou: “Fiquei por uma semana assistindo os jogos do time paranaense, analisando os pontos positivos e negativos, junto com a equipe de análise e desempenho. Percebi que era uma equipe que tomava poucos gols, apesar de ter sofrido três gols nossos. E que tinha uma linha de quatro defensiva bem sólida, que não se abria de forma alguma. Durante a preparação teve uma questão que me surpreendeu. Eles faziam muita bola longa, explorando o centroavante Rodrigão. Então, nós trabalhamos muito para que ganhássemos a segunda bola, o rebote, e com isso ficarmos com ela para jogar. Foi assim que ganhamos o jogo. Mas contra o Vila Nova-GO, nosso próximo adversário na competição, a nossa estratégia será diferente pela forma de jogo do time goiano, que é um time mais equilibrado e técnico”.

Foto: Assessoria de Comunicação do Coritiba

Ricardo Drubsky, por sua vez, comentou como a forma de jogo da Tombense foi fundamental para que a classificação acontecesse. “Nós ganhamos com propriedade do Sport, marcando três gols e sem fazer cera. O Tombense fez linha alta, fazendo marcação em cima, jogando de forma compacta e atacando”.

Vantagem na primeira fase

Ito Roque acredita que o formato da primeira fase ajudou a URT a se classificar, uma vez que o confronto aconteceu em jogo único, no seu estádio (ou seja, na casa do time com colocação inferior no ranking nacional da CBF), porém com o time visitante (Coritiba) tendo a vantagem do empate.

Já o Drubsky pensa diferente e afirma que, se fosse assim, haveria mais equipes mandantes da primeira partida classificadas.  Além disso, ele critica a fórmula que talvez tenha beneficiado a sua própria equipe: “Quem está falando é um profissional que defende o futebol brasileiro com unhas e dentes. Nós, aqui no Brasil, somos mestres em criar fórmulas. São alternativas que quem rege a competição, no caso, a CBF, vai encontrando. A fórmula consagrada já está aí no mundo, com jogo de ida e jogo de volta. Acho que é a mais correta e justa. Por isso as regras atuais poderiam ser melhores”.

Próximos passos

Ricardo Drubsky ressalta que em Tombos ele tem uma estrutura de clube médio brasileiro, o que é excelente para os padrões do clube que disputa também o campeonato mineiro e a Série D. “Aqui não me falta nada, absolutamente nada. Eu tenho pagamento em dia, alimentação ideal para o elenco, fisiologia, medicina, um estádio bom e um centro de treinamento de qualidade, além de bons jogadores”. Mas, apesar de tudo isso, o treinador sabe que, se a Tombense conseguir caminhar por mais duas ou três fases no torneio, o papel do clube estará muito bem cumprido.

Foto: FMF/ Divulgação

Ito Roque, por sua vez, destaca que, caso um clube como a URT siga até a terceira ou a quarta fase da competição, pode gerar uma renda muito importante, devido aos valores das premiações. “Eu não tenho aqui os números, mas uma fase que o clube passa na Copa do Brasil é quase o mesmo valor das cota do estadual”, observou o treinador. Para ser ter ideia, Tombense e URT faturam cerca de R$ 1 milhão para disputar o Campeonato Mineiro. Já na primeira fase da Copa do Brasil os dois clubes mineiros receberam R$ 525 mil de premiação da CBF. Nesta segunda fase, os clubes receberão R$ 625 mil. Caso passem para a terceira fase, cada clube receberá R$ 1,450 milhão. Em geral, os valores são tão atrativos que o futuro campeão vai faturar cerca de R$ 70 milhões.

Lembrando que os próximos confrontos dos times mineiros acontecem nesta semana. Na quarta-feira (27/02), a URT enfrenta o Vila Nova-GO, às 21h30, no estádio Zema Maciel, em Patos de Minas. A Tombense vai jogar contra o Botafogo-PB, na quinta-feira (28/02), às 19h15, em Tombos. As classificações serão decididas mais uma vez em jogo único. E, caso as partidas terminem empatadas, os clubes que seguirão na competição serão definidos nos pênaltis.

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