Baixa altitude é principal causa de acidentes aéreos no Brasil em 2019

Operação a baixa altitude foi a principal causa de acidentes aéreos no Brasil
Toby Melville/Reuters – 21.12.2018

Operação a baixa altitude foi a principal causa de acidentes aéreos no Brasil somente no ano de 2019, de acordo com o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da FAB (Força Aérea Brasileira). Ao todo, foram 60 ocorrências, registradas entre 1 de janeiro a 9 de fevereiro —uma média de 1,5 por dia.

O órgão ainda não contabilizou o acidente que vitimou o jornalista Ricardo Boechat e o piloto Ronaldo Quattrucci, na segunda-feira (11), na rodovia Anhanguera, em São Paulo.

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O primeiro do tipo que teve como causa a baixa altitude ocorreu em Engenheiro Beltrão (PR), no dia 3 de janeiro, e o último foi em Maçambará (RS), no dia 6 de fevereiro. Entre eles estão: Riachão (MA), no dia 5 de janeiro, em Rio Verde de Mato Grosso (MT), no dia 12, em Jaguaré (SP), no dia 21, em Sidrolândia (MS), no dia 24, em Pontes e Lacerda (MT), no dia 29, e Avaré (SP), no dia 31. Dos oito registros, seis são classificados como acidente, e dois como incidente grave. Apenas os casos de Engenheiro Beltrão e Riachão possuem o status como finalizado.

Piloto de helicóptero, a comandante Aline Chelfo explica que a operação em baixa altitude ser a principal causa dos acidentes aéreos brasileiros se deve ao fato de que a reação é menor. “Quando se está em alta altitude, o tempo de reação para um problema é maior, a velocidade da aeronave é maior. Quando se está em baixa altitude, é o contrário. A velocidade é menor, assim como o tempo de reação. Por isso, é mais difícil de controlar a situação nesses momentos”, argumenta.

A lista segue com falha de motor em voo e perda de controle em voo. Por perda de motor foram resgitradas quatro ocorrências: Itaquiraí (MS), no dia 23 de janeiro, em São José dos Campos (SP), e em Londrina (PR), ambos no dia 16, e em Pirenópolis (GO), no dia 12. Todas as ocorrências possuem o status de finalizada pelo Cenipa. Apenas a primeira foi considerada como incidente grave. Outras quatro foram registradas por perda de controle em voo: em Dom Pedrito (RS), no dia 6, em Itajaí (SC), no dia 26, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 14, e em São Borja (RS), no dia 11. O status de todos os registros permanecem ativos, e foram notificados como acidente.

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São Paulo

São Paulo figura como o Estado em que mais se registrou acidentes aéreos em 2019. Ao todo, foram 10. As intercorrências ocorreram em Sorocaba (duas vezes), Avaré, Peruíbe, Guaíra, Piracicaba, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Atibaia e Ubatuba. Quatro ocorrências apenas foram finalizadas, e seis seguem ativas. O órgão identificou apenas uma (de Atibaia) como incidente grave.

De acordo com a base de dados do IPTU de 2017, da Prefeitura de São Paulo, a capital paulista tem 53 mil prédios, além de ser uma das cidades com as principais rotas do país. Assim sendo, Chelfo explica o motivo do Estado estar no topo dos acidentes. “O número em si não é alto, quando comparado com os acidentes automotivos. Além do fato de ter inúmeros edifícios e de ter tráfico aéreo”, diz.

A lista segue com Rio Grande do Sul, com oito casos, e Amazonas, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná com quatro. Pará, Minas Gerais, Santa Catarina, Maranhão e Pernambuco registraram três acidentes. Bahia e Rio de Janeiro, dois. Acre, Mato Grosso, Ceará, Espírito Santo, Paraíba, Rio Grande do Norte e Distrito Federal tiveram um caso cada.

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Tipo de avião

Particular é o tipo de aeronave que mais se envolveu em acidentes no ano de 2019. Segundo o painel do Cenipa, 16 modelos do tipo registraram alguma intercorrência. Destes, seis foram classificados como incidentes graves. São eles: em Barreirinhas (MA), 7 de fevereiro, em Japurá (PA), em 3 de janeiro, em Rio Verde (GO), em 2 de fevereiro, em Sorocaba (SP), em 28 de janeiro, em São João Del Rei (MG), em 25 de janeiro, em Itaquiraí (MS), em 23 de janeiro, e em Recife (PE), em 2 de janeiro.

“As aeronaves particulares, na maioria dos casos, são pilotadas pelos próprios donos, e essas pessoas tiram apenas o curso de piloto básico. Não é porque se formou que já está pronto para voar. Tem uma questão de ego envolvida aí. Então, é preciso mais experiência e, em outros casos, que patrões viabilizem ferramentas, para eles ou terceiros, com treinamentos constantes de pilotagem”, analisa Chelfo.

Apesar dos dados, a piloto e comandante Chelfo conclui: “voar é extremamente seguro”. “Sim, acidentes ocorrem e são noticiados, mas o voar em sim não é tão complicado assim.”

Procurada pela reportagem do R7, a Cenipa ainda não se pronunciou.

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