Palhinha culpa técnico por não ida à Copa e árbitro por final perdida

Há feridas que parecem não serem curadas nem pelo tempo. Em entrevista publicada pelo UOL neste sábado (8), o ex-jogador Palhinha desabafou sobre a ausência dele e de Sócrates na Copa do Mundo de 1978. O ídolo de Cruzeiro, Corinthians e outros clubes apontou que existia uma preferência por quem trabalhava no Rio de Janeiro, além de armação da comissão técnica da seleção brasileira daquele momento.

“Naquela época havia Rio-São Paulo, mais Rio de Janeiro, e eu, naquela época, por exemplo, da Copa de 74, estava muito bem e não tive a felicidade de ser convocado pelo Zagallo. Em 78, eu e o Sócrates estávamos arrebentando em São Paulo e nem eu e nem o Sócrates fomos para a Copa do Mundo da Argentina? Então eu tinha essa preocupação em disputar com jogadores do Rio de Janeiro. Em 78, eles levaram Jorge Mendonça, Roberto Dinamite, Reinaldo, que estava meia boca, machucado, e eu e o Sócrates arrebentando no Corinthians com futebol de alto nível, e o Cláudio Coutinho não chamou nem eu e nem o Sócrates. A imprensa de São Paulo toda meteu o cacete, mas não adiantou nada. Eram os mesmos treinadores do Rio, Zagallo, Coutinho, tinha que ser treinador do Rio, então eles faziam média com os clubes do Rio e esqueciam de outras praças”, declarou ele, hoje com 68 anos e aposentado desde 1985.

Para Palhinha, sua presença e a do amigo no grupo que participou do Mundial na Argentina representaria uma dupla de sucesso na competição. Ele não só projetou a parceria, como se aprofundou na explicação para a não ida ao torneio.

“Pensa só se chamam eu e o Sócrates? Eu e o Sócrates seríamos titulares, porque estávamos jogando juntos, entrosados… Mas, para não bater com outros jogadores lá, eles não levavam a gente. Tem umas coisas na vida. Olha só a sacanagem que existia: o Professor Teixeira era auxiliar do Cláudio Coutinho, então quem jogasse no domingo poderia ser convocado na segunda-feira para ir à seleção brasileira para realizar amistosos, e o Teixeira chegou para mim num jogo contra o Palmeiras – nós concentrados em Embu – e falou: ‘Palhinha, hoje você não vai jogar porque o campo está pesado, está chovendo muito’. Eu peguei a minha mala e fui lá para o Morumbi, mas ficar na reserva eu não ia ficar. Teve o jogo e eu falei para a imprensa que não joguei porque estava chovendo, campo pesado”, argumentou, antes de intensificar as críticas sobre os então comandantes do time canarinho.

“Aí, passa uma semana, uma chuva, e o jogo era contra o São Paulo, campo pesado, e ele me colocou, e contra o Palmeiras não me colocou só para eu não ser convocado. Deve ter sido a mando do Cláudio Coutinho. Ou seja: o Teixeira era treinador do Corinthians e auxiliar do Coutinho na seleção e, no jogo contra o São Paulo, chovendo para caramba, eu fui para o jogo. Ele me colocou de novo só porque não tinha convocação, e fiz o passe que depois resultou no gol do Corinthians, empatamos 1 a 1, com muita chuva no Morumbi, e ele falou: ‘Pô, Palhinha, você foi o melhor em campo com chuva’, e eu falei: ‘Está vendo, eu não carrego o campo nas minhas costas, com chuva ou não acho que tenho condições de um bom rendimento’. E foi isso o que aconteceu. Você vê como tinha tanta sacanagem para eu e o Sócrates não termos chegado na seleção em 78. O Teixeira passava os nomes para ele [Coutinho] se devia ir ou não, então eu e o Sócrates fomos sacaneados em 78, nós deveríamos estar naquela Copa”, frisou.

Sobre o amigo, Palhinha não esconde a saudade daquele que deixou mais tristes os corações dos corintianos no fim de 2011, ao falecer aos 57 anos, em decorrência de um choque séptico. Um companheirismo que ficou marcado na memória.

“O Sócrates tinha vindo de Ribeirão Preto e, quando ele chegou, o laço de amizade da gente era muito grande, como se fossem dois irmãos, porque quando ele chegou de Ribeirão Preto eu ajudei ele a localizar prédio para morar com a família, e ele foi morar praticamente no meu prédio. Então, a gente ia junto para os treinos, para as concentrações, a gente tinha uma participação muito ativa não só no lado profissional, mas no lado familiar também. Ele já veio passar férias em Belo Horizonte comigo e com a família, foi uma época muito boa”, recorda.

No desabafo sobrou também para a arbitragem da final do Campeonato Brasileiro de 1974. Palhinha põe na conta de Armando Marques o fato de nunca ter sido campeão nacional.

“O título brasileiro de 74, entre Cruzeiro e Vasco, que o Armando Marques meteu a mão na gente lá e o Vasco foi campeão nós tivemos um gol lícito do Zé Carlos, bola de linha de fundo, e o Armando Marques deu impedimento. O Oscar Scolfaro era o bandeirinha e correu para o meio-campo, e não foi impedimento, a bola de linha de fundo, e o Armando Marques anulou o gol. Para você ver como o Armando era malicioso, no início do jogo ele chegou para mim e falou assim: ‘Eu não marco uma falta em você, Palhinha’. O zagueiro Moisés vinha e me dava porrada e ele marcava falta a favor do Vasco. Então, ele entrou mesmo com o pensamento de fazer o resultado da partida, e eu nunca tive a felicidade de ser campeão nacional. Eu fui vice-campeão nacional duas vezes. E a outra decisão foi com o Atlético-MG, Nacional de 80 lá no Rio de Janeiro, nós perdemos por 3 a 2, e o Aragão [o ex-árbitro José de Assis Aragão] não deixava o nosso time andar. O nosso time era muito bom, tinha o Éder, o Reinaldo, eu era o capitão, mas o Flamengo também tinha um bom time. Mas o Aragão prejudicou o nosso time no Maracanã”, acusou.

Vanderlei Eustáquio de Oliveira, o “Palhinha”, faturou vários títulos ao longo da carreira. Entre os principais, estão: a Libertadores de 76, pelo Cruzeiro, e os Paulistas de 77 e 79, com a camisa do Corinthians. Também atuou em Vasco, Santos, Atlético-MG e América-MG.

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