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Só 5 de 10 organizações aceitam falar sobre casos de abusos sexual

Grande escândalo sexual envolve a organização britânica Oxfam
Reuters

Das 10 maiores organizações não-governamentais de auxílio global, apenas cinco estavam dispostas a discutir denúncias de abusos sexuais por parte de seus funcionários. O dado faz parte de uma pesquisa exclusiva feita pela Thompson Reuters Foundation.

Em novembro, a agência pediu para as principais organizações do setor números sobre casos de abusos sexuais, assim como quantos funcionários foram demitidos como resultado. Desde a semana passada, a ONG britânica Oxfam está envolvida em um escândalo do tipo, afetando todo o setor.

Somente dois grupos – Save the Children e Oxfam – forneceram números imediatamente. Foram 16 e 22 funcionários, respectivamente, demitidos no ano passado. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) e o Norwegian Refugee Council (NRC) responderam diversas semanas depois.

Com o escândalo recente da Oxfam por acusações de condutas sexuais impróprias no Haiti e no Chade, que prejudicaram financiamento da União Europeia e do governo britânico ao grupo, outra ONG apresentou números nesta terça-feira (13) quando solicitado novamente.

Quatro não deram respostas e uma resposta estava pendente.

Diversos especialistas da área alertaram que a repercussão contra a Oxfam pode fazer com que organizações escondam casos de abusos sexuais por temor de perderem apoio e financiamentos do público, doadores e governos.

A agência de auxílio World Vision informou nesta terça-feira que houve 10 incidentes em 2016, envolvendo exploração sexual ou abuso de uma criança envolvida em uma das atividades da organização.

De 50 mil funcionários e voluntários, a agência cristã de desenvolvimento informou ter registrado quatro casos de assédios sexuais no ambiente de trabalho. A agência não informou quantas pessoas foram demitidas.

“Nós possuímos uma política de tolerância zero de incidentes de violência contra crianças cometidos por nosso funcionários ou voluntários”, disse o porta-voz Henry Makiwa, acrescentando que a agência divulga publicamente números de abusos sexuais a cada ano.

Em números atualizados nesta terça-feira, o MSF, que emprega 42 mil pessoas, informou que 20 foram demitidas em 2017 por abusos sexuais ou assédios, e 10 pessoas no ano anterior.

“Nós continuamos muito preocupados que muitos incidentes não são relatados e sabemos que nossos mecanismos precisam ser melhorados”, disse um porta-voz do MSF à Thomson Reuters Foundation por email.

A organização NRC informou que 13 casos de assédios sexuais foram relatados em 2017, mas não informou quantas pessoas foram demitidas como resultado.

Oxfam enfrenta pressão após novo relato de abusos sexuais

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC) informou que “não poderia fornecer material com dados históricos sobre má conduta de funcionários”, mas que está construindo um banco de dados para coletar tais informações.

“Acreditamos que isso não é problema de uma única organização, mas um problema de todo o setor e precisamos trabalhar conjuntamente para superá-lo”, disse o porta-voz da ICRC, Sam Smith.

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